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Blog do Jagunço
 


Mutilação

para a Laurinha

Amigo, amiga
pense antes de criticar minha barba.

Se não te agrada, agrada quem a cultiva.

Quando me verem sem barba, meus caros,
saibam que é mágoa, algo que se passou.

Certa feita, uma moça não me quis mais.
Pronto!
Fiz cabelo,
tirei barba.

Depois, triste, classifiquei a atitude
e o diagnóstico foi: mutilação.

Amigo, amiga
imoral é ser macaco nu!



Escrito por Danilo Janúncio às 13h22
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Dos Amores

para Helena Rocha


Lelê, amor nunca foi sólido.

Amor é líquido...

Se um dia deste uma topada
e feriste teu precioso pé, saiba:
- Era uma pedra, não amor!

As pessoas confundem
mas a diferença é bruta.

Lelê, o mundo é largo
mas as mentes, estreitas.

Muitos braços, poucos abraços...



Escrito por Danilo Janúncio às 17h31
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Lógica

 

Passei esse longo feriado trabalhando. E veio um fim de semana logo em seguida e os dias se emendaram, passaram agulha e fio na quinta com o domingo. Trabalhar em jornal dá nisso, plantão atrás de plantão...

 

Na sexta, no meio do feriado, conversando com uma amiga pela internet, perguntei se ela estava trabalhando também. Ela respondeu:

 

- É lógico...

 

Daí pensei aqui comigo, mas que lógica é essa a que vivemos. Lógico num fim de semana é descansar, viver. Isso, sim, é coerência! Plantão é ilógico.

 

Dentro desse nosso padrão, nos atuais paradigmas, existem uma dúzia de "forças" que desmandam o nosso coração. Deve ser por isso que um dia ele falha e diz: "Chega!"

 

É lógico!

 



Escrito por Danilo Janúncio às 12h53
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Seu Tamiro

 

Para Lucimara Correa, a Lú

 

"Seu Tamiro Unha de Pau". Era assim que a gente chamava o homem que tomava conta de um terreno numa rua atrás de casa, em Cruzeiro.

 

Ele tomava conta do casarão mais antigo da cidade, um lugar cercado por muito mato e cheio de mangueiras, jabuticabeiras e goiabeiras que atiçavam a vontade de qualquer um que passasse por ali. As mangas eram espada. As jabuticas eram jabuticabas: doces, redondas, gordas e pretíssimas. E as goiabas sempre com seus bichos, que a meninada comia assim mesmo.

 

Nesse casarão, bonito, pintado de branco e com arcadas azuis, de janelas grandes e estilo colonial, também funcionou a biblioteca e o museu da cidade. E "seu" Tamiro tomava conta de tudo isso. Mandava e desmandava naqueles metros cobiçados de terra e de entrada proibida.

 

Quantas vezes desafiamos a careca límpida, lustrada, de seu Tamiro. Era descobrir uma brecha na cerca de bambu, dar uma olhada através da cerca para ver se o homem não estava por perto e entrar rumo à colossal mangueira.

 

Se tinha perigo? Claro que tinha! Não do facão do seu Tamiro, mas de cobras, escorpiões, ou de cair da árvore e se machucar. É que aquele homem sempre com facão na mão assusta a gente criança, com a imaginação maior que tudo.

 

Só algum tempo depois vi que aquele facão era ferramenta de trabalho do seu Tamiro. Menino, enxergava aquilo como o inimigo e agora me dou conta que era justamente o contrário.

 

Uma vez fui sozinho catar manga. Sempre íamos em grupo de dois ou três, mas naquela tarde quente não achei irmão, nem vizinhos, e me arrisquei.

 

Temeroso, coloquei a cabeça do lado de dentro da cerca de bambu e arregalei os dois maiores olhos da minha vida. Estava lá seu Tamiro, suando, facão na mão, as botas de borracha, chapéu de palha e a um metro de distância de mim. Parecia que ele estava esperando o primeiro atrevido entrar no terreno.

 

Num segundo, voei para o lado de fora e disparei rumo a qualquer lugar longe dali. Corri e, claro, gritei. Berrei o apelido que a gente dera ao Seu Tamiro como se aquilo fosse minha defesa, a desmoralização do inimigo.

 

- "Seu Tamiro Unha de Pau"!

 

Nunca soube o motivo do "unha de pau". E também nunca esquecíamos do "Seu", uma abreviação de "senhor". A gente era levado, mas era educado. 



Escrito por Danilo Janúncio às 18h54
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Essenciais

 

O educador e psicanalista Rubem Alves fala minha língua. A minha e a de uma porção de pessoas, é claro! Escreve Alves que, para ele, as coisas essenciais da vida são:

 

poesia

música

amizade

brincar

escrever

vadiar

 

---------------------------

 

Acontece

 

Finalmente recebo um spam bom, diria até digno. Está lá no Assunto do e-mail:

"Curso de Cerveja Artesanal: produza a sua própria cerveja!"

 

É, leitor, milagres acontecem!



Escrito por Danilo Janúncio às 18h11
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São Paulo, 29 de março de 2006

Projeto de Lei Nº 1 – Dia da Saudade

 

Assunto Principal: Dia da Saudade

 

Proposição: Instituição do “Dia da Saudade”, que dá direito ao trabalhador folgar uma vez por ano na empresa que trabalha para matar as saudades de um(a) amigo(a)

 

 

1º Parágrafo: O empregador deverá conceder ao empregado um dia de folga por ano para que o mesmo possa visitar um(a) amigo(a) querido(a) do qual esteja com necessidade de rever, ou seja, do qual sinta muitas saudades. Note-se que o requerente ao dia de folga deverá enfatizar que está com "muita" saudade da pessoa amada para ser liberado.

 

 

2º Parágrafo: A folga ao trabalhador poderá ser estendida até três dias se:

 

2-1. A saudade do(a) amigo(a) for grande demais;

 

2-2. Caso o(a) amigo(a) more muito longe da cidade onde se trabalha;

 

2-3. O (re)encontro dos amigos(as) causar emoções forte e haja necessidade de se estender a folga.

 

 

3º Parágrafo: A lei do Dia da Saudade é válida para todos os Estados da República Federativa do Brasil.

 

 

4º Parágrafo: O desrespeito à lei será crime previsto no Código Penal brasileiro e, este projeto sugere, pena brandíssima ao empregador que não liberar seu empregado para matar a saudade acumulada no peito.



Escrito por Danilo Janúncio às 20h41
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5º Parágrafo: Estudos realizados nas mais prestigiadas universidades do mundo mostram estudos que apontam o acúmulo da saudade como um dos males a ser enfrentados pelo cidadão que vive e, portanto, ama. Assim, esta medida não pode ser qualificada de "licença poética" ou um "ataque ao capitalismo". Pelo contrário, é um bem a mais a ser acrescentado nas leis que defendem o trabalhador brasileiro e, quiçá, uma lei para adentrar aos autos relativos aos "direitos humanos".

 

 

6º Parágrafo: Esta medida ainda poderá ser alterada, contanto que respeite os seguintes itens:

 

6-1. O direito à folga para matar a saudade dos(as) amigos(as);

 

6-2. A extensão do prazo das folgas, conforme previsto no 2º Parágrafo da medida.

 

 

7º Parágrafo: Em caso de trabalhador autônomo, cabe ao mesmo a decisão de folgar.

 

 

8º Parágrafo: Em relação a políticos, a decisão de poder folgar caberá ao povo brasileiro, após instituição de um plebiscito para decidir se esses poderão ou não, usufruir do “Dia da Saudade”. O motivo é o descrédito da profissão nos dias de hoje (29/03/2006).

 

 

Parágrafo único: Caso o empregado não tenha dinheiro para ir visitar o(a) amigo(a) e, assim, matar suas saudades, deverá o empregador conceder-lhe um empréstimo (sem juros), ou adiantamento, para que este possa executar o pleno direito de viver, ou seja, de amar.

Escrito por Danilo Janúncio às 20h41
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Manhã de carnaval

 

Para o amigo Coca

 

6h30. Pedaço de prosa entre dois caboclos em frente ao Mercado Municipal de São Luiz do Paraitinga.

 

- Aô, dia!

- Aôpá, cumpadi!

 

- Brincô o carnavá onti?

Sorrindo na cara, responde:

- Eita, brinquei, sim!

 

O outro, sorriso mais de mei-metro:

- Êêê, marvadão!

 

Os dois se riem - e a vida continua...

 

 



Escrito por Danilo Janúncio às 20h54
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Abandono da sessão

 

 

Ontem à noite, no cinema,

bem no meio da sessão

 

a gente percebeu

- a moça e mais eu -

 

que essa nossa vida

é mais singela e bonita

do que qualquer película.



Escrito por Danilo Janúncio às 17h57
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Encontro com Riobaldo

É interessante quando se nota que a gente esbarrou numa coisa milhares de vezes antes de perceber que ela está ali.

Como um livro, por exemplo, que está na estante dos nossos pais há muito tempo e, só depois de mais tempo ainda, quando aquele livro chega em nossas mãos através de uma amiga, é que a gente percebe: “hum, você estava aí”.

Pode acontecer também com uma idéia, ou com uma pessoa que a gente talvez não note. Mas, nessa semana isso me aconteceu com o escritor Guimarães Rosa e seu personagem Riobaldo, do livro “Grande Sertão: Veredas”.

Lembro dos professores de literatura do colegial passando por Rosa. Acontece que não nos detemos muito, acho que só estudamos um trecho do livro pra conhecer o estilo do escritor - nessa época adolescente tudo é muito chato, menos a menina que a gente gosta e o futebol com os amigos no final do dia.

Mais tarde, na faculdade, estudando numa biblioteca da Letras, em Taubaté, li um estudo, quase uma tese de um professor sobre Riobaldo, o ex-jagunço e personagem principal do livro “Grande Sertão”. Me perdoe, leitora, se não me lembro o nome do estudioso, mas o fato é que esbarrei com o “filósofo do sertão” Riobaldo.

Fiquei imediatamente fã de Rosa e de Riobaldo, e fui atrás do livro para ler. Li em algumas sentadas, porque demora um pouquinho para engatarmos a quarta marcha no mundo do Rosa. Mas, de pronto, a gente já acha que Riobaldo é mesmo um sábio. Com frases simples e metáforas lindas ele consegue nos fazer chegar à sabedoria necessária para pensar e sorrir.

Passaram-se alguns anos, outros autores vieram, outros caminhos fizeram deixar Riobaldo quieto, um pouco de lado. Mas essa semana tive a doce surpresa de reencontrá-lo. Foi uma emoção bem parecida com aquele de quando se revê um amigo de longa data, em que um abraço é uma das coisas mais deliciosas que existe.

E foi após esse longo abraço em Rosa e em Riobaldo, que os dois disseram uma frase que transformou a semana. É uma frase sobre amor, esse sentimento a ser redescoberto porque, quando nos deparamos com ele, a gente sempre está diferente.

A frase me serviu muito bem e, certamente, teria sido diferente se eu a tivesse escutado anos atrás. E será diferente quando escutá-la de novo. Disse Riobaldo: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

É, meu amigo, obrigado!


Escrito por Danilo Janúncio às 23h07
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Descaminhos do navegador

 

Acredito que alguém já tenha comparado a “busca da mulher amada” ao ato de “se buscar alguma terra distante”, como fizeram Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral e outros navegadores d’antes. Os descaminhos dos homens nesses casos são parecidos, e, no final das contas, um pode aprender com o outro em suas buscas.

 

Para começar, a primeira coisa que o navegador faz é mirar seu destino e tentar se orientar. Antes de partir, vasculha mapas, ouve os navegadores mais experientes e devora as mais diversas cartas náuticas.

 

O navio é ele mesmo, feito de suas qualidades – a madeira nobre cortada em noite de lua cheia- e suas imperfeições – a madeira que pode te deixar rodeado por tubarões. Preparado, o navegador toma a direção do vento - vento que é sua paixão e que pode levá-lo ao naufrágio ou ao lugar esperado, a amada - alça as imensas velas e parte.

 

O mar é a vida, com suas tempestades e suas calmarias. É o que o homem quer atravessar para chegar ao seu destino. O navegador sabe que não se doma a vida, mas que é preciso navegar. 

 

Durante a conquista, ele precisa saber a hora de levantar as grossas lonas brancas e acertar o leme, para que o sopro do vento não o impulsione em direção às pedras ou a correntes contrárias.

 

É preciso também que a imaginação não atrapalhe seu caminho. Não construa medos, nem muito menos buracos no casco antes mesmo que a madeira trombe n’alguma pedra ou pedaço de ilha.

 

A imaginação pode ser útil, mas pode tirar-lhe da direção e levá-lo a outras terras. Não que as outras terras sejam ruins, não! São apenas outras amadas, outros sorrisos, outros cheiros.

 

Ao navegador, a negativa da mulher ao homem é uma das coisas que ele adora, mas dificilmente admite. É o desafio de seguir, de continuar a conquistar a mulher, quando o mapa já não mostra o caminho, ou quando o vento arrebenta as velas.

 

Aconteça o que acontecer, a falta de direção é temporária, e o bom navegador sabe disso. É o momento de estudar os caminhos, as condições meteorológicas, de analisar outras alternativas, conversar com a tripulação e, principalmente, de esperar.

 

Porque o desespero diante do “não” pode afastar ainda mais a amada do navegador; talvez ele até a perca de vista. Por isso, tempo ao tempo, meu amigo!

 

É o momento de organizar os sentimentos, a tripulação do homem, e seguir. Mas, para onde? É hora de consultar novamente o coração, esse tripulante que jamais abandona o barco porque não desiste de seus sonhos.

Escrito por Danilo Janúncio às 20h43
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Sonho com Drummond

 

 

Poderia ler os poemas

de Drummond

a noite inteirinha.

 

Nada me impede!

 

Mas o sono chega,

bem de mansinho, e sussurra:
“Psiu, acorda! Também quero sonhar!”



Escrito por Danilo Janúncio às 14h36
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Lamento de carnaval

 

Não imaginei que a tristeza de um amigo, o Rejão, fosse dar em música. Mas deu. Testemunhei o fato, e a história dessa composição é a seguinte:

 

São Luis do Paraitinga, terça-feira de carnaval, 8 de fevereiro de 2005. Um dos últimos blocos acabara de passar em frente a um bar chamado Sol Nascente e, inconsolável, Rejão chorava toda a tristeza do mundo em suas lágrimas.

 

Alto, rosto largo, óculos fundo de garrafa, bolsa surrada de couro à tiracolo e uma boina indescritível, Rejão é poeta, mas, antes de tudo amigo, e leciona para futuros psicólogos e psicólogas.

 

À primeira vista, não sabíamos o motivo daquele choro. Carnaval era alegria, não era? Não foi, pelo menos naquele instante. Porque, agora, aquela deliciosa festa "só no ano que vem".

 

Foram abraços sobre abraços em cima daquele homenzarrão que, olhando bem de pertinho, parecia mais um menino – desses meninos com uma cara mista de choro e aflição por ter se perdido da mãe em meio a uma grande festa.

 

Vendo aquilo tudo, os olhos amigos, como não poderia deixar de ser, também se encheram d’água. Uns pela tristeza do Régis, uns pelo carnaval que acabava. Outros pelos dois motivos.

 

Poxa! Diante de “seu” carnaval, o carnaval que “ele” ajudou a fazer, Rejão viu o que não queria: ele pressentiu o fim daquele cinco dias de folia. E no meio daquele pranto todo, não foi difícil mostrar para o Régis, não foi difícil dizer para ele que, na verdade, Rejão, na verdade mesmo, “o bloco passa, mas o carnaval fica”.

 

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Letra: “Lágrimas de um menestrel”

Autores: Coca, Leandro, Drika, Chico, Nicolini, Portela, Hespanhol e Vinicius

 

 

Lágrimas do meu olhar se lançaram na imensidão/ Molhando a serpentina/ que no chão chorava ao me ver passar (2x)

 

Surdo silenciou todo salão/ Perdi meu coração ninguém me ouviu/ No meio da quarta feira em meio aos confetes no meio fio (2x)

 

Mas/ Quando o carnaval voltar eu chorar um bloco inteiro/ Juca Teles fevereiro não vai acabar/ Novamente seresteiro menestrel de um povo que vive a sonhar (2x)

 

 



Escrito por Danilo Janúncio às 20h01
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Mestre Pixinguinha

 

Por conta de umas andanças, comecei a escutar o Choro, tipo de música que toca pouco nas rádios, mas que é muito gostosa de ouvir. Carioca, surgido nos subúrbios do Rio de Janeiro no final do século 19, esse gênero tem como um de seus principais mestres Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha.

 

Frente às diversas composições que Pixinguinha deixou, músicas como "Rosa", "Lamento", "1x0", Proezas de Sólon" e "Carinhoso", comecei a ler também sobre a vida do homem. Um grande compositor, instrumentista e maestro não poderia deixar de escrever sua vida familiar, seu amor pela mulher e filhos, de uma maneira diferente.

 

Em seus últimos anos de vida sua esposa Dona Betty sofreu um infarto. Quando Pixinguinha soube disso ficou assustado e teve também um problema no coração. Assim, enfartados, os dois foram parar no mesmo hospital.

 

Mas, para não amedontrar a mulher, que estava com o coração frágil, Pixinguinha combinou com o filho de não informar sua esposa de que também tivera um infarto.

 

Para resolver a situação, ele e Dona Betty ficavam em quartos separados. Nos dias de visita Pixinguinha tirava as vestes do hospital e vestia o terno e o chapéu. Impecável, pedia aos amigos lhe trouxessem flores e, como se tivesse vindo de casa, visitava a esposa.

 

Iluminado, a maestria de Pixinguinha em lances da vida foi a mesma que ele teve na hora de compor e de tocar a flauta ou o saxofone. Sabendo disso tudo, escutar suas músicas é ainda mais gostoso. Diria que é "divino". Sua bênção, Pixinga!

Escrito por Danilo Janúncio às 19h37
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Assombro na madrugada

 

 

Quando me escuro no quarto

os fantasmas se escondem.

 

Espiam detrás das cortinas

e sentem frio na barriga.

 

Morrem de medo das gentes

que vagam na casa a caminho

do banheiro ou da cozinha.

 

Quando se liga a televisão

então, nossa!, não sobra um!

 

Outrora eram quem espantavam.

Mas, agora, é bem diferente!

 

Tanta crueldade deu nisso:

- Ontem à noite eu vi um humano. Juro!

 

 

Dezembro de 2005



Escrito por Danilo Janúncio às 19h21
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